O vento sopra pontual, como o fez em todos os novembros de que me lembro. Assovia. Sacode tudo. Levanta poeira, desalinha os meus cabelos.É o vento de finados, dizem uns. Mas o dia de finados já se foi, e ele continua aqui, dizendo que é mais duradouro que aquele dia, mais resistente que eu. Sim, porque, eu que logo ficarei mais velha, estou cada dia menos duradoura. Logo farei 61 anos. Quantos mais farei? Não há como não pensar. Sempre pode ser o último. O último encontro com as irmãs, com as sobrinhas, com os filhos. Com as amigas queridas de toda a vida. Mas no ano seguinte a teimosia vence e cá estamos de novo comemorando mais um aniversáro de nascimento. Ou não. Mas o vento, ah o vento, ele com certeza estará aqui garboso e presente, desmanchando os penteados, varrendo os sacos de plástico que os irresponsáveis jogam no gramado. Cantamos parabéns, tomamos chá, contamos nossas histórias. Encontro de velhas é assim: lembrarnças e lembranças. Minhas irmãs sempre se emocionam, afinal sou a mais velha delas,e pela trajetória natural serei a primeira a mudar de andar. Minhas sobrinhas, juntamente com minha filha não percebem que ficamos velhos. Para elas esta realidade está distante e somos sempre jovens, fortes, novas. Os filhos não percebem esta decadência, porque como disse Carlos Drumond de Andrade, mãe não morre. Mãe só faz aniversário. Apesar do vento de finados.
Português (Portugal) · English (US) · Español · Français (France) · Deutsch Privacidade · Termos · Publicidade · AdChoices · Cookies · Mais Facebook © 2019 Almeri Espíndola de Souza 20 h · Hoje é dia de texto, né meu povo. Mas eu estava ali, envolvida com a carta anônima que a Josefa recebeu hoje cedinho. Depois a gente conta isso. Agora eu quero lhes falar sobre o papel de cada um de nós na vida de todos. Quando votamos, em um cidadão ou cidadã, para nos representar no parlamento é mister que consideremos o poder que estamos outorgando a esta pessoa, e no que ele ou ela poderá fazer com o nosso voto. Ontem, um parlamentar do RJ, chamado Rodrigo Amorim, o mais votado deputado estadual daquele estado, invadiu uma universidade indígena "Maracanã Resiste", como um miliciano...
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